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R$ 50,00
“A confissão (2009) tem como protagonista o Conde Vladimir Hilario Orlov, especialista em “falar, contar, inventar” e “virtuoso da amnésia”. Com ele a leitora e o leitor sentam num sofá durante festejo familiar cheio de crianças e parentes de todos graus, num certo bairro de Buenos Aires. Um menino faz o relato disparar a toda ao se apossar das lentes de cristal de um velho projetor, cobiçadas pelo Conde. Este é um descendente de europeus do leste na Argentina profunda de peronistas e antiperonistas, fratura exposta na narrativa. Orlov, um intelectual “curtido no sindicalismo combativo e na imprensa trabalhista” mas com tendências aristocráticas, é também “um farsante inveterado” que nunca trabalhou e pretende ainda uma vez garantir a sobrevivência (leitmotiv recorrente em Aira) recuperando o pequeno tesouro com seu “brilho tóxico”. O que vem a seguir – um jorro de sangue do palato, a demora do médico no casamento da paralítica, as balas Átomo de Orlov-Moldava, as balas Gol Atômico, a fúria do velho Moldava com a concorrência, os cabecitas negras, Elena Moldava de Parque Patricios, a marcha dos Metalúrgicos, o duelo de relatos, a pobreza, o nenê fumante, o Amo do Jogo (da guerra), a potência de iluminação das imagens… –, o que segue não é (nunca é) passível de resumo na prosa de César Aira”. (Texto de Joca Wolf)
Tradução de Ieda Magri, Hugo de Almeida, Juliana Ribeiro e Mariana Teixeira
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R$ 65,00
Neste que é o seu primeiro romance, Marie de Quatrebarbes se inspira na vida e na obra do historiador da arte Aby Warburg (1866-1929), cuja obra e pensamento vêm se tornando referência fundamental tanto no domínio da história da arte quanto, mais genericamente, no contexto do trabalho em torno da imagem em movimento, que, desde o Renascimento, veio assombrar de maneira cada vez mais implacável toda perspectiva de conhecimento, em todos os domínios do saber. Um pouco em toda parte, na Alemanha, na França, nos Estados Unidos e em diversos países da América Latina, como a Argentina e o Brasil, multiplicaram-se as pesquisas e ensaios tendo sua obra — e a biblioteca de mais de sessenta mil volumes que acumularia ao longo da vida — seja como foco em si mesma, seja como base conceitual para a reflexão sobre o que, a partir dela, Georges Didi-Huberman chamaria de “a memória inquieta das imagens”.
Quatrebarbes se apoia em uma vasta documentação baseada não apenas no trabalho monumental de Warburg em torno da fotografia e da imagem, como também em sua saúde mental, especialmente a partir do dossiê clínico sobre suas internações, entre 1921 e 1924, na clínica Bellevue, na Suíça, sob a direção do psiquiatra Ludwig Binswanger, que havia estudado e trabalhado com Sigmund Freud. E é assim que, numa apropriação estética e teórica com a obra e a vida de seu personagem, a escritora monta um envolvente retrato do homem e da época, em que circulam personagens mais ou menos anônimos e célebres dos mundos da antropologia, da ciência e da arte.
Tradução e apresentação de Marcelo Jacques de Moraes
ISBN 9786587785660
1ed. 2025
144p.
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R$ 60,00
Matías Serra Bradford traça uma série de silhuetas provisórias de poetas consagrados e secretos cujas personalidades são iluminadas pela escrita: eles se escondem, se multiplicam, se desdobram, se perdem. Animais tímidos e intransigentes que optam por se isolar em mundos domésticos que, nem por isso, são menos selvagens. O coração do livro bate nestas linhas: “Desde Rimbaud, a identidade deixou de ser um valor na poesia. O estilo é, e talvez a poesia pulverize uma identidade para obter, com sorte, um estilo”. Sem escrúpulos biográficos, Serra Bradford insiste em suas obsessões: o cruzamento entre vida e obra, a arte como forma, a fragilidade dos retratados, a proliferação de ofícios em que trabalham (há tradutores, artistas, desenhistas, viajantes, cineastas, jardineiros). De Matsuo Bashô a Fernando Pessoa, de Charles Baudelaire a Michael Hamburger, de Tom Raworth a Gabriel Ferrater, de Henri Michaux a Enrique Lihn, é difícil imaginar um cânone mais pessoal e multilíngue. A maneira e a frequência com que, no jogo das leituras, uns se referem aos outros, acabam criando uma família literária. Este livro é também um autorretrato involuntário, o de um escritor com um ouvido absoluto e um pulso refinado: um amante da música em espanhol que agora soa em português. (Judith Podlubne)
Tradução e desenhos internos de Kelvin Falcão Klein
Imagem de capa de María Jimena Herrera
Primeira Edição: abril 2025
112 p.
ISBN 978-65-87785-58-5
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R$ 60,00
Os ensaios que compõem este volume estão entre os mais polêmicos, vertiginosos e necessários da obra do cubano Antonio José Ponte. Embora reconhecido como poeta e narrador, é no ensaísmo que atinge um grau de maestria ao aliar a fluidez dos melhores ficcionistas com o olhar atento e desconfiado de um grande historiador. Ponte instaura procedimentos retóricos meticulosos que amplificam as possibilidades interpretativas dos seus textos: consegue ao mesmo tempo aproximar e distanciar os campos literário e histórico, e traçar um caminho inusual e iniludível, sobre questões espinhosas que atravessam não apenas as perspectivas cubanas, mas os seus discursos e aparelhamentos estéticos e ideológicos. O agora no ontem, no porvir: seus atravessamentos não são apenas sobre o passado, pois tudo se repete, como tragédia/farsa (Marx) ou paródia (Piglia).
Aqui o mártir e patrono das letras cubanas José Martí é polido, lustrado, mas igualmente mordido sem dó nem piedade a partir da imagem de seu casaco esquecido em uma manhã invernal. E a escassez alimentícia dos anos 1990 se encontra com a representação literária das comidas, inclusive com a morte e o desejo, o abacaxi e a carne falsa. E no entrelaçamento da criação e vida de dois ícones, José Lezama Lima e Eliseo Diego, estão os livros perdidos que abraçam o vazio. Entre as catástrofes privadas e coletivas, se prontificam as difíceis relações entre arte e nacionalismo, mas sobretudo o olhar de alguém que em algum momento esteve em uma mesa, em Havana, para escrever e comer. (Carlos Henrique Schroeder)
Tradução de Francisco César Manhães
1ed – Setembro de 2025
ISBN 9786587785639
92 p.
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R$ 45,00
A meio caminho entre um caderno de anotações, um diário, um rascunho de ideias, este livro raro de Aira reune pensamentos sobre literatura e arte, descrições de sonhos, lembranças de suas primeiras leituras, observações sobre a memória e o esquecimento e digressões sobre a arte da ficção. O livro está composto por uma série de fragmentos de não mais de uma página que, em espaço reduzido, funcionam com a potência inesperada do haicai.
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R$ 50,00
“No Diário da Hepatite o tema da hepatite está oculto, mas pode- se intuir que é um diário que Aira está escrevendo enquanto sofre a doença e tem uma crise de escri- ta: a crise do romancista que não quer mais escrever ou que diz que não quer mais escrever. O curioso é que ele faz isso escrevendo.
O Diário consiste em uma série de reflexões aparentemente des- conexas sobre diferentes temas. Um deles é esse: o da não-escrita ou da crise da escrita. Depois há outra série de temas: números proporcionais, substância e forma, entropia, a ideia do continuum e do instante… O universo de temas que a história aborda é um pouco caótico. Mas, mesmo assim, para quem conhece o trabalho do Aira, verá que eles têm uma coerência, porque são temas que se repetem em muitos de seus livros.
Diário da Hepatite é, finalmen- te, um livro sobre a própria litera- tura, uma reflexão sobre o ato da criação literária que desencadeia ideias em todos os sentidos e que alimenta nossa visão sobre o que é o ato da escrita”. – Juan Pablo Villalobos
Tradução de Joca Wolff
Posfácio de Juan Pablo Villalobos
ISBN 9786587785653
1ed. 2025
52p.
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R$ 45,00
O ano é 1840. O lugar é o Vale do rio Cauca, na região sul-ocidental da Colômbia. Vários quilombolas e libertos uniram-se ao exército dos rebeldes esperando apoio para sua causa: a abolição da escravidão. Nay da Gâmbia, escravizada que administra a horta de uma das fazendas de Ibrahim Sahal, acredita que a verdadeira liberdade não se consegue por meio da lei. Para ela, o único caminho é o retorno ao seu país de origem. Junto a seu filho, Sundiata, começará um longo e difícil percurso à procura desse sonho. Neste romance, vencedor do Prêmio Casa das Américas 2015, a colombiana Adelaida Fernández Ochoa nos oferece outra visão da história da luta pela liberdade através da voz e do olhar daqueles que foram escravizados.
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R$ 50,00
“Já no título, estes Momentos Kodak revelam o intuito de capturar o efêmero, o fugaz, dando-lhe uma forma definida. Exercício que pode parecer simples, mas exige uma sensibilidade aberta, alerta, e a delicadeza de quem segura uma borboleta nas pontas dos dedos, sem feri-la nem deixá-la escapar. Nestes Momentos, logo se verá, a prosa se aproxima da concisão da poesia, e o pouco que é narrado convida a leitora e o leitor a preencher lacunas e seguir pistas com sua imaginação: os treze exercícios são, assim, nítidos convites à coautoria. São textos, quase todos, de 4-5 linhas de extensão – fugindo ao padrão, um deles se estende por oito, enquanto outro se limita a duas, aproximando-se ainda mais da brevidade do haiku. As seis mulheres e os seis homens que protagonizam os relatos não reaparecem nem se encontram uns com os outros, com a só exceção de Laura e Martin, que vemos sozinhos e também juntos, numa cinematográfica cena de romance no metrô. Feiticeiro do romance e também do conto, Machado de Assis dizia que “há sempre uma qualidade nos contos que os torna superiores aos grandes romances, se uns e outros são medíocres: é serem curtos”. Longe de medíocres, os minicontos tingidos de suave melancolia nos quais Rafael Gutiérrez nos convida a mergulhar possuem, claro, a virtude da síntese, mas também a beleza de pedras brutas e preciosas esculpidas por um artesão exigente”.
– Pedro Amaral
Texto de Rafael Gutiérrez
Imagens de José Miguel Nieto
Tradução de Davis Diniz
ISBN 9786587785493
1ed. 2025
64p.
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R$ 45,00
Vencedor do prêmio Indio Rico de autobiografia num ano em que o júri contava com Ricardo Piglia, María Moreno e Edgardo Cozarinsky, Na pausa é um relato lindamente pessoal, fragmentado, de alguém que escolhe se voltar para os espaços em branco — os intervalos de que uma vida também é feita — para narrar a si mesmo. Esse é o modo que Meret encontra de prestar contas com a riqueza das suas experiências. E de dar forma a um modo peculiar (e peculiar porque rico, estranho, interessante) de existir.
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R$ 50,00
Associamos o gênero “literatura de viagens” a grandes movimentações pelo globo, cenas exóticas, distâncias impressionantes. Aqui, vemos uma torção peculiar do gênero: motivado pela leitura de um breve texto de Georges Perec, o escritor argentino Elvio E. Gandolfo escreve sobre as viagens de ônibus que, durante anos, realizou entre Rosário e Buenos Aires. Mesclando o tom de um relato de viagens com o de anotações em diário íntimo, Gandolfo transforma o travelogue em uma exploração meticulosa e delicada das alterações na percepção das paisagens, das estradas, dos encontros e das histórias que transcorrem durante os mais comuns trajetos, nos quais os desvios e recomeços que o texto narra são também constitutivos do modo como, aqui, se narra. Nesse processo, o ordinário se transmuta, revelando uma fisionomia com traços novos e mostrando – ao mesmo tempo para o narrador e para o leitor – que em toda viagem há também um percurso em um “mundo privado”, que a produção recente do autor tem buscado revelar e explorar.
Tradução: Davidson Diniz
Primeira edição: 2019
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R$ 60,00
Em 1929, depois de algumas tentativas de suicídio, Robert Walser foi levado ao hospício de Waldau pela irmã que o adorava. Em 1933, foi transferido a contragosto para o hospício de Herisau e parou de escrever. Em 1936, o editor e filantropo Carl Seelig, grande admirador da obra de Walser, foi autorizado a visitá-lo regularmente e a acompanhá-lo em passeios pelo campo e pelas montanhas. Durante 20 anos, os dois se encontraram para longas caminhadas pelas paisagens suíças. Esses encontros, em que conversavam sobre a literatura, a amizade, a natureza, estão registrados neste belo Passeios com Robert Walser. (Bernardo Carvalho)
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R$ 40,00
Roberto Videla narra, em Perla, o encontro entre uma mãe e seu filho. Generoso e delicado, atento aos detalhes da intimidade, seu relato consegue capturar diversos matizes da relação filial e, ao mesmo tempo, esboçar um retrato do passar da vida numa cidade do interior da Argentina. Narrativa de desafios sutis, disfarça em sua simplicidade um convite para observar, como disse uma vez Barthes, “a família sem o familialismo”.
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R$ 40,00
No interstício entre a ficção e o autobiográfico que marca toda sua literatura em Risos e quebrantos, uma breve novela partida, o escritor argentino Roberto Videla narra os últimos momentos da vida de sua mãe Perla – personagem protagonista de um de seus romances anteriores. Em Risos e quebrantos o narrador da história vincula seu passado, as lembranças de sua infância na Argentina, e de sua juventude na Itália, com o presente da narração, o tempo em que sua gata Piru sofre um grave acidente e sua mãe está morrendo. Com uma escrita sempre delicada e um olhar intimista Videla nos transporta para uma viagem sensorial e emocional que impacta pela sua força e sua beleza.
Tradução de Carolina Machado
Imagem de Capa de María Jimena Herrera
Primeira Edição: 2024
72p.
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R$ 45,00
Esta reunião de dois livros do escritor chileno Marcelo Matthey – Escrevi tudo isso entre dezembro de 1987 e março de 1988 e Sobre coisas que aconteceram comigo – é uma espécie de filho tardio e inesperado da ambição flaubertiana de escrever “um livro sobre nada”, “um livro que quase não tivesse nenhum tema, ou no qual, pelo menos, o assunto fosse quase invisível”. São dois diários, bastante esparsos e marcados por uma atitude ao mesmo tempo benevolente e inquieta, numa prosa que é tão clara quanto misteriosa. Há um momento no qual, ouvindo um concerto de música ao vivo, Matthey escreve: “Prestei atenção nos sons que o solista faz quando não canta, principalmente na respiração e nos gemidos”. É de dentro de gestos assim – atentar para os intervalos da música, observar um galinheiro, descrever os demais leitores de uma biblioteca pública, pegar um ônibus, escutar gente falando na rua, ir à praia – que podemos perceber o tema “quase invisível” dos livros de Matthey, e a pulsação viva de uma escrita única.
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R$ 60,00
“Tudo é grande demais para a pobre medida da nossa pele” reúne um conjunto de resenhas imaginárias de livros tramados pela fecunda criatividade de seu autor, Bernardo Brayner. Seguindo uma conhecida ideia de Borges, que acreditava ser empobrecedor escrever livros de quinhentas páginas expondo ideias que cabem em poucas, Brayner confecciona seu livro a partir de fragmentos diversos e heterogêneos de outros livros (todos eles inventados), mas que, várias vezes, se comunicam produzindo a sensação de uma narrativa unificada. Além da imaginação que abunda na composição de cada um dos argumentos literários, o livro é enriquecido pelo desenho das capas, fotos e entrevistas com alguns dos autores(as) imaginários.
Desenhos de Ana Vizeu.
Fotos de Paulo Borgia.