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Entre segredos, posts e notícias coloca em cena, de modo agudo e preciso, toda a riqueza semântica e política dos atuais deslocamentos e ampliações de sentido da categoria estupro. Vislumbramos a escuta atenta ao modo como a mídia construiu as vítimas do médico Roger Abdelmassih, e também às formas de narrar e calar presentes nos depoimentos de estudantes que sofreram assédio sexual na Universidade de São Paulo, e, especialmente, no ativismo da Rede Não Cala, iniciativa das docentes que, com empatia, reconhecem os abusos e ajudam a corrigir as violações de direitos quando não se averigua denúncias e queixas. Esse livro contribui para o exame sobre aumento significativo de violências praticadas a partir de manifestações antes não reconhecidas. Mas, não só: há nele uma nova e bem vinda aposta analítica de modo a ampliar não apenas o escopo das discussões sobre violência, mas a formação de uma sensibilidade feminista como uma questão contemporânea que habita a melhor antropologia que praticamos no Brasil.
Primeira edição: agosto de 2025
192p.
ISBN
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R$ 60,00
Este livro reúne um conjunto de artigos que indagam sobre o ensaio de escritores de ficção na América Latina, de 1970 até a atualidade. O tema delimita uma questão específica: pensar sobre a instância discursiva em que o escritor se desvencilha das mediações da ficção – o narrador, a personagem – e assume uma enunciação subjetiva ligada ao nome próprio e em consonância com uma experiência íntima. Por certo, retornar ao ensaio, nos dias de hoje, em que a literatura se oferece como espaço de exploração das mais variadas formas de registro autobiográfico, a ponto de invalidar a distinção entre o vivido e o imaginado, não significa restituir um debate sobre as especificidades dos gêneros literários; especificidades, aliás, que a literatura, na sua linhagem moderna, se empenha em dissolver. Ao contrário, supõe voltar às reflexões acerca de uma forma de escrita que, desde suas origens, fez da liberdade seu princípio constitutivo, aproximando a palavra literária da experiência subjetiva em um movimento de identificação com a vida.
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R$ 60,00
Como o camponês de Kafka diante do portão de uma lei que nunca se alcança mas da qual nunca desistimos, procuramos ressaltar os diferentes modos de estudar literatura como a repetição de um movimento de entrada, sempre já diferido, antes e depois de outros. Este livro conta, assim, com a contribuição de pesquisadores com interesses diversos e perspectivas muito variadas, cujo ponto em comum é, talvez, colocar-se diante da literatura e das suas disciplinas, forçando uma entrada própria e corroborando a formação deste espaço de limites borrados, os não-estados da teoria literária e da literatura comparada.
Carolina Correia dos Santos e Wagner Monteiro Pereira (Orgs.)
ISBN 9786587785523
1ed. 2025
184p.
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R$ 50,00
Paloma Vidal tem bastante experiência quando se trata de “Estar entre”. Nestes seus “ensaios de literaturas em trânsito” ela não deixa dúvidas quanto a isso. Uma série de paradoxos são desdobrados nesse “estar entre”: entre línguas, culturas e países, mas, sobretudo, entre as páginas de livros. Paloma fala entre livros, mas também entre cidades: Rio de Janeiro, Buenos Aires, Paris, Los Angeles… Para Walter Benjamin existem dois tipos de aproximação da cidade: a feita pelos que lhe são nativos e a pelos de fora. Os nativos são minoria dentre os autores de descrições de cidade, justamente porque não conseguem a distância necessária para escrever sobre a sua cidade. Se nossa língua estabelece um mapa para trilharmos o mundo, estar entrelínguas (como acontece na escritura de Paloma) permite uma produtiva quebra da bússola e sua fragmentação em cacos que lançam luzes inusitadas sobre outros mundos e outros modos de estar aí.
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R$ 60,00
A delicada etnografia de Rafael da Silva Noleto, baseada em amplo trabalho de campo, nos leva a entender como acontecem os concursos de quadrilhas juninas em Belém, refletindo através da cultura popular sobre as formas de performatizar gênero, sexualidade, raça e classe. Nos concursos juninos, a presença aparentemente desconcertante da categoria Miss Gay dentro do espectro do feminino nas performances, revela como gays, travestis, mulheres transexuais e outras pessoas trans são classificadas como damas, assim como as mulheres cisgêneras. Gênero e sexualidade, em interação com categorias raciais e de território (periférico), articulam-se nas disputas juninas reguladas pelo Estado, revelando então parte das articulações entre cultura e política. De leitura deliciosa, Estrelas Juninas resulta de um doutorado primoroso defendido na USP.
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R$ 65,00
“O não-tempo impõe ao tempo a tirania da sua espacialidade: em todas as vidas, há um norte e um sul, e o oriente e o ocidente. No ponto mais extremo, ou, pelo menos, no cruzamento, é a enfiada das estações sobrevoadas, a luta desigual da vida e da morte, do fervor e da lucidez, talvez até mesmo a do desespero e da nova queda, a força também de olhar sempre o amanhã. Assim vai toda e qualquer vida. Assim vai este livro, entre sol e sombra, entre montanha e mangue, no crepúsculo quando não se distinguem cão e lobo, claudicando e binário.Tempo também de dar cabo de algumas fantasias e alguns fantasmas”.
Aimé Césaire, apresentação do seu último livro de poesias, eu, laminária…
Tradução, posfácio e notas de Lilian Pestre de Almeida
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R$ 60,00
O livro é resultado de uma pesquisa sobre a figura contemporânea do refúgio no Brasil explorada por meio dos processos de alguns nacionais colombianos. São interrogadas diferentes categorias de refúgio e seu processo de produção, assim como o substrato moral das relações tecidas entre pessoas administradas e diferentes agentes de Estado. No processo, não apenas é produzido um sujeito refugiado, mas são criadas constantemente as fronteiras externas e internas do Estado-nação. Além de focar na interpretação social dos sofrimentos que permitem separar a experiência dos sujeitos refugiados daquela de outros sujeitos migrantes, também foram examinadas as exigências narrativas, o mecanismo de produção de uma “verdade” sobre as pessoas administradas e sobre a nação que as recebe.
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R$ 70,00
Feminismos africanos. Uma história decolonial é uma coletânea de entrevistas organizadas em forma de conversas entre a politóloga e escritora senegalesa Rama Salla Dieng com cerca de vinte ativistas feministas e acadêmicas de Gana, Senegal, Camarões, Uganda, Tanzânia, Reino Unido, Tunísia, África do Sul, Etiópia, Egito e Quênia. Elas dialogam sobre a produção de conhecimentos na África, a partir de uma perspectiva decolonial, questionando as diversas práticas feministas em relação ao desenvolvimento social, político e econômico de diferentes países da África, falando também sobre filosofias, desafios globais, África e relações internacionais, horizontes de trabalho político, desejos por um mundo melhor. O livro está dividido em quatro partes: “Libertar a palavra, dizer-se”, “Amores revolucionários: desromantizar o território”, “Prazeres e sexualidades”, “Pesar e curar a cidade”.
Tradução de Erick Araujo
1a Ed. Novembro de 2025
ISBN 978-65-87785-73-8
178p.
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R$ 30,00
Este ensaio procura se aproximar de obras narrativas contemporâneas difíceis de circunscrever em definições fechadas de gênero, forçando a criação de categorias alternativas como romance-ensaio, autoficções ou formas híbridas. Livros que parecem querer sair de seus próprios limites tensionando as margens da literatura.
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R$ 50,00
Produzido faz já quatro décadas, publicado inicialmente em 1976, e apenas poucos anos antes de que o nome de Jacques Derrida começasse a reconfigurar a cena internacional da crítica e da filosofia, este Glossário reúne um conjunto de verbetes sobre os principais conceitos do pensamento derridiano. Cada verbete remete a outro mediante um tecido que rompe com a intenção de fixar um significado, evitando a possibilidade de um fechamento conceitual. O feito de que este pioneiro trabalho se sustente por meio dos primeiros seis textos de Derrida, publicados em 1967 (Gramatologia, Escritura e diferença, A voz e o fenômeno) e em 1972 (Disseminação, Margens da filosofia, Posições) é o que outorga força a este Glossário, que os reuniu e apresentou de maneira desconstrutiva, ao mesmo tempo em que contribuiu para sua disseminação de maneira impensável.
Supervisão de Silviano Santiago
Com novo prefácio e posfácio
Desenhos de Lena Bergstein |
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R$ 60,00
Governo de Mortes apresenta uma densa e cuidadosa investigação das engrenagens da atuação cotidiana de esferas de Estado que administram as mortes de moradores de favelas do Rio de Janeiro. Elaborado em doses equilibradas de argúcia e empatia, este livro fornece ao leitor as denúncias dos familiares, coletivos e organizações que sustentam suas lutas e, também, a contraface governamental. Registros oficiais, declarações públicas e encontros entre familiares e agentes públicos constituem o material empírico que dá base às análises sobre as configurações entre estado-margens, no melhor estilo das teorias sociais contemporâneas. Os bastidores sombrios da violência policial travestida em “autos de resistência” são revelados na crueza dos intricamentos burocráticos e interpretados com o rigor e a elegância das novas contribuições dos estudos etnográficos de documentos.
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R$ 65,00
“Numa rica e criativa etnografia, premiada no concurso CAPES de melhor tese de doutorado na área de Antropologia e Arqueologia no ano de 2017, Paulo Victor Leite Lopes nos apresenta a um tema consagrado nas Ciências Sociais e na Antropologia: o Estado e suas ações. Leite Lopes nos (re)apresenta ao fenômeno estatal em sua peculiaridade (e precariedade) histórica no Brasil, abordando a relação entre “poder”, “direito” (a “linguagem” estatal por excelência) e “verdade” pela via das práticas e de suas formas de institucionalização. Parte, para isso, das interações concretas, das formas de expressão de ideias, sentimentos e situações intercambiadas entre técnicos e homens autores de violência doméstica num serviço da administração pública, bem como da análise das “materialidades”, especialmente dos documentos aqui tratados como artefatos. Sem ceder a uma “absolutização (hiper)fenomenológica” em voga na atualidade no país, e sim com os pés fortemente fincados na teoria e na produção nacional e internacional, inclusive sobre a violência de gênero, o autor mostra no plano cotidiano os processos micropolíticos que (se) fazem Estado, produzindo assimetrias, hierarquias e variadas formas de perpetuação da desigualdade, assim como seus agentes, sujeitos, instituições, locações sociais, tessitura mesmo das realidades macroestruturais postas em questão pela disciplina”. Antonio Carlos de Souza Lima
ISBN 978-65-87785-23-3
368p.
Brochura
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R$ 45,00
O ano é 1840. O lugar é o Vale do rio Cauca, na região sul-ocidental da Colômbia. Vários quilombolas e libertos uniram-se ao exército dos rebeldes esperando apoio para sua causa: a abolição da escravidão. Nay da Gâmbia, escravizada que administra a horta de uma das fazendas de Ibrahim Sahal, acredita que a verdadeira liberdade não se consegue por meio da lei. Para ela, o único caminho é o retorno ao seu país de origem. Junto a seu filho, Sundiata, começará um longo e difícil percurso à procura desse sonho. Neste romance, vencedor do Prêmio Casa das Américas 2015, a colombiana Adelaida Fernández Ochoa nos oferece outra visão da história da luta pela liberdade através da voz e do olhar daqueles que foram escravizados.
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R$ 80,00
“Situando-se na história da condição existencial da afro-modernidade – história de escravidão, revolta, quilombagem –, Roberts nos libera um terreno conceitual bem empolgante, inexplorado, até então, pelas euronarrativas hegemônicas. Ao fazer isso, ele deixa irrefutavelmente nítido o quanto da teoria política ocidental foi construído no silenciamento das vozes de resistência de todos os Outros raciais que o Ocidente tentou subordinar”. Charles W. Mills
“Liberdade como quilombagem não é uma exegese esclarecedora sobre a agência dos escravos para criar espaços livres para viver, mas uma reflexão absolutamente brilhante sobre o significado fundamental da liberdade no mundo moderno. Teóricos políticos, historiadores, filósofos e críticos culturais, prestem atenção: Roberts é um pensador a ser levado em conta”. Robin D. G. Kelley
Tradução e apresentação de Victor Galdino
Imagem de capa de François Muleka
Primeira edição: agosto de 2025
328p.
ISBN 978-65-87785-69-1
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R$ 60,00
“Livros pequenos, de Tamara Kamenszain, narra a historia entre esta grande poeta e ensaísta argentina e uma série de livros que teve entre suas mãos e que não consegue esquecer. Tamara nos oferece um percurso fragmentário e até acidentado com múltiplos desvios. Estruturado em duas partes e um anexo, ela nos passeia entre leituras de poesia e crítica, entre trabalhos de leitora ou docente e até nos conta os livros que compartilha com seus pequenos netos. O “pequeno” ao longo do livro se transforma em um conceito que confronta as ambições dos vates literários e a falsa erudição de salão literário e faz do menor, do deslocamento, da distração e até do humor o centro de uma ética de leitura”. (Mario Camara)
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R$ 65,00
A cidade do Rio de Janeiro foi inúmeras vezes palco, plateia e bastidor de intervenções urbanísticas. Da reforma Pereira Passos às operações atreladas aos megaeventos esportivos, os saberes da arquitetura têm sido sistematicamente acionados para legitimar obras “promotoras do bem-comum” e engendrar processos de categorização social, valorização imobiliária e disciplinamento de espaços e habitantes. A proposta deste livro é compreender as tramas sociais que sustentam tais iniciativas e as imagens e narrativas de progresso e modernidade produzidas pelo campo arquitetônico e pelas práticas estatais. A partir do diálogo entre referenciais da antropologia, sociologia, arquitetura, urbanismo, história, geografia e comunicação social, autores e autoras analisam as mediações profissionais, os interesses particulares e as controvérsias movimentadas em diferentes projetos financiados com recursos públicos.